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Neurologia · São Paulo

Investigação de
Esquecimento e Demência em São Paulo

Esquecimento progressivo, dificuldade para encontrar palavras, perda de orientação ou mudanças de comportamento podem ter muitas causas — e a maioria delas é tratável. Minha abordagem começa por separar o que é benigno do que merece investigação, com avaliação cognitiva estruturada e exames solicitados com critério.

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Esquecimento: quando investigar

A queixa de esquecimento é uma das mais frequentes no consultório neurológico — e também uma das que mais gera angústia, especialmente quando vem acompanhada do medo de Alzheimer. É importante saber que a maioria dos esquecimentos tem causas tratáveis e reversíveis.

Estresse crônico, ansiedade, depressão, privação de sono, uso de medicamentos (como benzodiazepínicos e anticolinérgicos), deficiências nutricionais (vitamina B12, folato) e distúrbios hormonais (hipotireoidismo) são causas comuns de dificuldade de memória que respondem bem ao tratamento. A avaliação neurológica existe justamente para separar essas situações do comprometimento cognitivo que merece investigação mais aprofundada.

Nem todo esquecimento é demência. Na maioria das vezes, a causa é tratável. A avaliação existe para dar clareza — e frequentemente traz alívio.

O que é demência

Demência não é uma doença única — é uma síndrome. Descreve o declínio progressivo de funções cognitivas (memória, linguagem, raciocínio, capacidade de planejamento, comportamento) a ponto de interferir na autonomia e nas atividades do dia a dia da pessoa.

A doença de Alzheimer é a causa mais comum, mas existem muitas outras — demência vascular, demência com corpos de Lewy, demência frontotemporal, entre outras. O diagnóstico diferencial importa porque a evolução, o prognóstico e as opções terapêuticas variam significativamente entre os tipos. Além disso, existem condições que mimetizam demência (pseudodemências) e que são potencialmente reversíveis quando identificadas a tempo.

Tipos de demência

Doença de Alzheimer

A forma mais prevalente. Caracterizada por perda de memória recente progressiva, dificuldade para aprender informações novas e, com a evolução, comprometimento de linguagem, orientação e funções executivas. O início é insidioso e a progressão, gradual.

Demência vascular

Resulta de lesões vasculares cerebrais — AVCs clinicamente evidentes ou doença de pequenos vasos silenciosa. O padrão de declínio pode ser em degraus ou gradual. O controle de fatores de risco cardiovascular é central no manejo.

Demência com corpos de Lewy

Combina declínio cognitivo flutuante, alucinações visuais bem formadas e sinais parkinsonianos. A sensibilidade a neurolépticos é uma característica importante que o neurologista precisa reconhecer para evitar complicações graves.

Demência frontotemporal

Acomete mais frequentemente pessoas mais jovens (antes dos 65 anos). Pode se apresentar com mudanças marcantes de comportamento e personalidade (variante comportamental) ou com dificuldades progressivas de linguagem (afasias primárias progressivas).

Causas potencialmente reversíveis de declínio cognitivo incluem deficiência de vitamina B12, hipotireoidismo, hidrocefalia de pressão normal, depressão (pseudodemência depressiva) e efeitos de medicamentos. Identificá-las a tempo pode mudar completamente o desfecho.

Sinais que merecem avaliação neurológica

Esquecimento progressivo que afeta atividades do dia a dia
Dificuldade para encontrar palavras ou acompanhar conversas
Desorientação em locais conhecidos
Perda da capacidade de administrar finanças ou medicamentos
Mudanças de personalidade ou comportamento
Familiares percebem declínio que a pessoa não reconhece

Se um familiar próximo percebe mudanças que a própria pessoa minimiza ou não reconhece, isso é um sinal importante. Traga o familiar para a consulta — a percepção de quem convive diariamente é parte essencial da avaliação.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico de demência é fundamentalmente clínico — não existe um exame único que confirme ou descarte. O que existe é uma investigação estruturada que combina história clínica detalhada, avaliação cognitiva, exames complementares e, quando indicado, acompanhamento longitudinal.

Avaliação clínica e cognitiva

Entrevista com paciente e familiar, exame neurológico e aplicação de testes cognitivos de rastreio. Quando o rastreio é insuficiente para caracterizar o quadro, encaminho para avaliação neuropsicológica formal — um mapeamento detalhado das funções cognitivas que ajuda a definir o padrão e a gravidade do comprometimento.

Exames laboratoriais

Hemograma, função tireoidiana, vitamina B12, ácido fólico, função renal e hepática, glicemia, cálcio, VDRL e HIV são parte da investigação de rotina para excluir causas reversíveis. Outros exames podem ser solicitados conforme o contexto clínico.

Ressonância magnética de crânio

Avalia padrão de atrofia cerebral, lesões vasculares, hidrocefalia e outras alterações estruturais que ajudam a diferenciar os tipos de demência e excluir causas secundárias.

Biomarcadores (casos selecionados)

Em situações de diagnóstico incerto ou apresentações atípicas, biomarcadores como PET-amiloide ou análise de líquor podem ser solicitados para aumentar a precisão diagnóstica — especialmente quando o resultado pode mudar a conduta terapêutica.

Tratamento e acompanhamento

O tratamento das demências é multimodal — envolve intervenção farmacológica quando indicada, manejo de sintomas comportamentais, orientação familiar e reabilitação cognitiva. O objetivo central é preservar autonomia e qualidade de vida pelo maior tempo possível.

Tratamento farmacológico

Para a doença de Alzheimer, os inibidores da acetilcolinesterase (donepezila, rivastigmina, galantamina) e a memantina são as medicações mais utilizadas. Não curam a doença, mas podem estabilizar ou retardar a progressão dos sintomas em muitos pacientes. A escolha e o ajuste da medicação dependem do estágio da doença e da tolerância individual.

Manejo de sintomas comportamentais

Agitação, apatia, insônia, alucinações e outros sintomas neuropsiquiátricos são frequentes nas demências e impactam profundamente a qualidade de vida — tanto do paciente quanto do cuidador. O manejo envolve estratégias não farmacológicas (rotina estruturada, ambiente adequado, atividade física) e, quando necessário, medicação direcionada ao sintoma predominante.

Prevenção

Evidências consistentes mostram que até 40% dos casos de demência estão associados a fatores de risco modificáveis. O controle de hipertensão, diabetes e dislipidemia, a prática regular de atividade física, a cessação do tabagismo, o cuidado com a audição, a qualidade do sono e a manutenção de atividades cognitivas e sociais são medidas com impacto real na redução do risco.

O acompanhamento regular permite ajustar medicações, antecipar mudanças e orientar a família em cada fase. Demência exige planejamento — e o neurologista é o profissional que coordena esse cuidado ao longo do tempo.

Dr. Igor Campana, neurologista em São Paulo

Sobre o Dr. Igor Campana

Sou o Dr. Igor Campana (CRM-SP 186.186 | RQE 94.974), neurologista com formação no HC FMUSP. A investigação de esquecimento e demência exige tempo, escuta atenta e método. Minha abordagem é sempre começar pelo que é mais provável e mais tratável, avançando na investigação conforme necessário — sem alarme desnecessário e sem exames de mais.

Atualizado em: 04/03/2026 • Revisão médica: Dr. Igor Campana

Conteúdo com finalidade informativa. Não substitui consulta médica. Em caso de sintomas agudos ou confusão mental súbita, procure atendimento de emergência imediato.

Ficou alguma dúvida?

Perguntas Frequentes

Esquecimento é sempre sinal de Alzheimer?
Não. A maioria dos esquecimentos tem causas tratáveis — estresse, ansiedade, depressão, distúrbios do sono, deficiências nutricionais e medicamentos. A avaliação neurológica diferencia o esquecimento benigno do comprometimento cognitivo que merece investigação mais aprofundada.
Quando devo procurar um neurologista por causa de esquecimento?
Procure avaliação quando o esquecimento é progressivo, quando interfere em atividades do dia a dia (como administrar finanças ou medicamentos), quando há mudanças de comportamento ou personalidade, ou quando familiares próximos percebem declínio que a própria pessoa não reconhece.
Demência tem cura?
A maioria das demências neurodegenerativas (como Alzheimer) não tem cura definitiva, mas existem tratamentos que podem estabilizar ou retardar a progressão dos sintomas. Algumas causas de declínio cognitivo são reversíveis (deficiência de B12, hipotireoidismo, depressão) — por isso a investigação adequada é fundamental.
Quais exames são feitos para investigar esquecimento?
A avaliação inclui exame neurológico, testes cognitivos estruturados (rastreio e, quando indicado, avaliação neuropsicológica formal), exames de sangue para causas reversíveis (vitamina B12, tireoide, entre outros) e ressonância magnética de crânio. Em casos selecionados, biomarcadores específicos podem ser solicitados.
Qual a diferença entre esquecimento normal e demência?
No envelhecimento normal, é comum esquecer onde deixou as chaves ou o nome de um conhecido — mas a pessoa reconhece a falha e consegue se orientar. Na demência, o esquecimento é progressivo, compromete a autonomia e frequentemente a própria pessoa não percebe a extensão da dificuldade. O diagnóstico diferencial é feito na avaliação neurológica.
Existe prevenção para demência?
Sim. Evidências robustas mostram que controle de fatores de risco cardiovascular (hipertensão, diabetes, colesterol), atividade física regular, estimulação cognitiva, socialização, qualidade do sono e cessação do tabagismo reduzem significativamente o risco de demência. A prevenção é um dos pilares mais importantes — e frequentemente subestimados — do cuidado cognitivo.
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